Treino de propriocepção: nem sempre o que parece é

O treino de propriocepção é uma peça importante do arsenal terapêutico da fisioterapia.

Ele é popularmente utilizado para melhorar o desempenho de atletas, prevenir quedas em idosos e tratar disfunções neuromusculares, por exemplo.

Mas será que os fisioterapeutas estão fazendo bom uso desse recurso clínico?

Infelizmente, na maioria dos casos, a resposta é não e vou te explicar o porquê ao longo dessa postagem.

A aplicabilidade do treino de propriocepção


Treino de propriocepção
Treino de propriocepção

Para a maior parte destes profissionais o treino proprioceptivo é sinônimo de balancim, tábuas/bolas proprioceptivas e similares.

Estes aparatos normalmente possuem uma superfície instável que estimula a propriocepção do paciente e exige contração muscular coordenada para lhe manter de pé…

… melhorando assim sua capacidade de equilíbrio nas atividades do dia a dia.

Faz sentido, né?? Não tem como dar errado, concordam?

Só esqueceram de avisar isso para Kümmel e colaboradores (2016)!!

Eles fizeram uma revisão sistemática com metanálise sobre o tema e encontraram que o treino de propriocepção:

  • Melhorou o desempenho dos participantes nas tarefas treinadas durante o atendimento;
  • Teve pouquíssimo ou nenhum efeito sobre as tarefas não treinadas.

Conclusão


Diante de tudo que foi exposto acima, podemos concluir que ao utilizar os aparelhos citados lááá em cima (balancim, tábuas/bolas proprioceptivas e similares), seus pacientes:

(1) irão se tornar especialistas em se equilibrar em cima deles;

(2) porém continuarão sem conseguir subir a escada do ônibus, andar de salto alto, jogar bola ou seja lá qual for a a atividade envolvida na queixa inicial dele.

Sendo assim, ao prescrever esse tratamento cuide para que a tarefa treinada envolva a função que o seu cliente deseja voltar a realizar.

Essa é a forma que fisioterapeutas que trabalham em alta performance raciocinam!

Se achou essa postagem relevante compartilhe para que mais pessoas possam ter acesso a ela.

Comenta aqui o que você achou dessas informações que te apresentei e qual sua visão sobre esse tema!!

Abraço!!!

4 Comentários “Treino de propriocepção: nem sempre o que parece é”

  • Boa tarde.
    Em primeiro lugar, estão de parabéns pela iniciativa e pela qualidade do material.
    Gostaria de esclarecer uma dúvida. Eu entendi o que quiseram falar sobre os testes de propriocepção, e concordo, já que o indivíduo tem que ser treinado a tarefa no seu ambiente cotidiano. Minhas dúvidas são as seguintes:
    a) A não realização desses treinos, já que não aborda o indivíduo na sua tarefa?
    b) Em quais situações seriam indicados esses treinos?
    c) O fisio deve utilizar quais ferramentas para treinar propriocepção? Ir para rua e treinar diretamente?

    Obrigada , desculpe o longo texto. fico inquieta com essas dúvidas.

    • Olá Andreia, que bom que gostou!

      Sobre suas dúvidas:

      a) Não se trata de “jogar fora” o treino com os aparelhos que citamos no texto. Eles podem ser adequados no início da reabilitação, caso o paciente ainda não consiga realizar a atividade funcional desejada;
      b) Respondido a cima!
      c) As ferramentas devem ser o raciocínio clínico e os aparatos necessários para realizar a atividade desejada pelo paciente. Exemplo: a reabilitação de um pintor que deseja voltar a exercer essa função deve ser com um pincel de verdade.

      Se ainda restou alguma inquietação é só falar. O intuito é esse mesmo: debater!

      Abraço 😉

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