Tipos De Variáveis Em Saúde: Entenda Esse Tema De Uma Vez Por Todas!

Frequentemente, ao entrar em contato com o tema tipos de variáveis em saúde, muitos fazem a seguinte pergunta: “antes de mais nada, o que é uma variável?! ”

Quase que automaticamente eles ouvem a resposta: “é algo que varia! ”

De certa forma essa é uma resposta correta, porém simplifica bastante esse tema (que será) tão importante na sua jornada profissional.

Sei que esse conceito pode parecer útil apenas para quem é pesquisador ou precisa fazer o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Mas acredite, se você quer se um profissional de sucesso, esse conteúdo vai te ajudar.

É por isso que hoje, além de te explicar – passo a passo – cada uma das variáveis e quando devem ser utilizadas… vou te mostrar como e quando cada uma delas pode ser aplicada na sua (futura) prática clínica.

Portanto, se gostou do que vem por aí, continua lendo esse artigo!! Nele você vai conhecer mais sobre:

Características Em Saúde: Constantes x Variáveis


Tipos de variáveis em saúde
Características em saúde

Duas características podem ser observadas em um conjunto de processos, fatos ou fenômenos: as constantes e as variáveis.

a) Características Constantes

São características expressas igualmente por todos os elementos de um conjunto, o que lhes confere o poder de definir conjuntos homogêneos.

Imagine, por exemplo, que estejamos analisando a qualidade do ensino de fisioterapia no Brasil e que a característica de interesse são as faculdades da área.

Existem inúmeros exemplos nesse caso, mas todos apresentam uma característica constate: faculdade de fisioterapia no Brasil.

Portanto, nesse caso, ser uma faculdade de fisioterapia no Brasil é uma característica constante.

Fácil, não?! Mas agora que você entendeu o que são características constantes, podemos passar para a próxima definição… a de características variáveis.

b) Características Variáveis

São características que fazem os elementos de um conjunto se diferenciarem.

Para entender melhor, vamos resgatar o exemplo acima e analisar especificamente uma das faculdades de fisioterapia no Brasil, a faculdade “X”.

Bom, já entendemos que ela faz parte de um grupo com características constantes quanto a ser uma faculdade de fisioterapia no Brasil.

Veja que a faculdade “X” possui localização, quantidade de alunos e muitos outros atributos que a diferencia das outras faculdades desse conjunto. Esses atributos são definidos como características variáveis.

Sendo assim, todo conjunto de processos, fatos ou fenômenos que variam e podem ser mensurados são chamados de variáveis.

São exemplos de tipos variáveis em saúde:

  • Tipo sanguíneo (A/B/O/AB);
  • Atividade da doença (remissão/baixa/moderada/alta);
  • Pontuação na escala numérica da dor (0-10).

Porém, de acordo com a natureza, escala e relação expressa em que ela (a variável) é revelada vão existir diferentes formas de expressar os resultados.

1. Quanto A Natureza

  • Qualitativas ou categóricas;
    • Nominal x Ordinal.
  • Quantitativas ou numéricas.
    • Contínuas x Discretas (descontínuas).

2. Quanto A Escala

  • Dicotômica ou binária;
  • Politômica.

Além disso, existem situações práticas em que a finalidade é descobrir a relação entre dois eventos clínicos. Nestes casos, as variáveis também podem ser classificadas.

3. Quanto A Relação Expressa

  • Independentes (preditoras);
  • Dependentes (de desfecho);
  • Covariáveis (externas).
    • Confundidoras;
    • Modificadoras de efeito.

Preparado para entender e conseguir diferenciar cada uma dessas variáveis? Então, vamos lá!

Tipos De Variáveis Em Saúde: 1. Quanto A Natureza


Tipos de variáveis em saúde
Tipos de variáveis em saúde: quanto a natureza
a) Variáveis Qualitativas Ou Categóricas

As variáveis qualitativas (ou categóricas) marcam diferenças radicais ou essenciais na natureza da variável.

A variável doença, por exemplo… categoricamente podemos qualificá-la em presente ou ausente.

Note que a diferença entre cada categoria (presente/ausente) está relacionada com a própria natureza da variável e não apenas com nível, volume ou quantidades.

Esse tipo de variável em saúde pode ser subdividida em duas categorias:

  • Nominais: não existe ordem predefinida entre as categorias;
    • Ex.: sexo (masculino/feminino) e tipo sanguíneo (A/B/O/AB).
  • Ordinais: as categorias possuem ordenamento natural.
    • Ex.: estágio da doença (inicial/intermediário/terminal) e atividade da doença (remissão, leve, moderada, grave).
b) Variáveis Quantitativas Ou Numéricas

As variáveis quantitativas (ou numéricas) não caracterizam diferenças radicais ou essenciais. Em outras palavras, elas não envolvem a natureza da variável.

Ao invés disso, marcam diferenças relacionadas ao grau, frequência, intensidade, volume e etc. das variáveis.

A altura, por exemplo… não há alteração da natureza dessa variável entre a população mundial. Ela sempre será a diferença de nível existente entre um ponto e outro.

Entretanto, pode existir variação numérica de pessoa para pessoa.

Esse tipo de variável em saúde também pode ser subdividida em duas categorias:

  • Discreta ou descontínua: as variáveis ou dados adotam apenas valores inteiros;
    • Ex.: quantidade de filhos (2) e número de quedas da própria altura por ano (5).
  • Contínua: as variáveis ou dados podem adotar valores fracionários e não apenas números inteiros.
    • Ex.: peso (60,3 Kg) e altura (1,63 metros).

Antes de passar para o próximo tópico, ainda preciso fazer duas observações importantes…

Variáveis quantitativas podem ser transformadas em qualitativas e vice-versa (ex.: podemos dizer que o peso de uma pessoa é 180 kg [quantitativa] ou dizer que ela é obesa [qualitativa]).

O mesmo serve para as variáveis discretas, que podem ser transformadas em contínuas e vice-versa (ex.: podemos dizer que a pessoa mede 1,70 metros [contínua] ou dizer que ela mede 170 centímetros [discreta]).

Tipos De Variáveis Em Saúde: 2. Quanto A Escala


Tipos de variáveis em saúde
Tipos de variáveis em saúde: quanto a escala

As variáveis qualitativas ou categóricas podem ser mensuradas em mais de uma escala: dicotômica ou politômica.

As variáveis dicotômicas adotam apenas duas categorias. As variáveis fratura óssea (presente/ausente) e lesão prévia (sim/não) se enquadram nesse tipo de classificação.

As variáveis politômicas podem ser adotas três categorias ou mais. As variáveis tipo sanguíneo (A/B/O/AB) e nível de atividade física (ativo/irregularmente ativo/sedentário) são representantes dessa classificação.

Além disso, saiba que as dois conceitos vistos até agora podem se acumular:

  • A variável tipo sanguíneo (A/B/O/AB) pode ser considerada categórica e politômica;
  • A variável sexo (masculino/feminino) pode ser considerada categórica e dicotômica.

Já a escala adotada pelas variáveis quantitativas (ou numéricas), terá relação direta com a variável em questão:

  • Peso ⇒ Quilograma (Kg);
  • Altura ⇒ Centímetros (cm).

Tipos De Variáveis Em Saúde: 3. Quanto A Relação Expressa


Tipos de variáveis em saúde
Tipos de variáveis em saúde: quanto a relação expressa

Em alguns casos, não basta classificar as variáveis isoladamente. Necessita-se acompanhar a evolução de eventos clínicos ou entender a relação entre cada um deles.

Imagine a seguinte questão clínica: será que pacientes com dor crônica que pensam negativamente possuem pior prognóstico?

Em situações como essa, é indicado classificar as variáveis como: dependentes e independentes.

Para tanto, deve-se partir do pressuposto que determinados processos, fatos ou fenômenos (variável independente) ocasionam a alteração do estado basal de saúde (variável dependente).

a) Variáveis Independentes (Preditoras/De Exposição)

São os tipos de variáveis em saúde que antecedem o desfecho (resultado clínico). Na área de saúde, são informações clínicas que podem ser consideradas possíveis causas/fatores de risco da situação clínica em questão.

No caso do exemplo citado, supõe-se que pensar negativamente é fator de risco para um pior prognóstico.

Dessa forma, a variável independente é pensar negativamente.

Em algumas ocasiões, a variável independente é escolhida por já ser demonstrado na literatura científica que a ocorrência do fenômeno está associada com tal desfecho.

É por conta disso que, por vezes, a variável independente é chamada de preditora (como altos níveis de pressão arterial predizem doenças cardíacas).

b) Variáveis Dependentes (Desfecho)

São os tipos de variáveis em saúde que representam a consequência/efeito de uma variável independente. Em outras palavras, essa é a pergunta que se quer responder.

Dessa forma, existem várias respostas possíveis… consequentemente, existe a possibilidade de muitas variáveis independentes (não existem limites).

Na área de saúde, elas são os efeitos presumidos de algum tipo de atuação clínica (diagnóstico, prognóstico ou tratamento)… ou seja, os possíveis resultados ou desfechos que uma conduta pode ocasionar.

Retornando novamente para o exemplo, supõe-se que pensar negativamente é fator de risco para um pior prognóstico.

Pensando assim, a variável dependente é pior prognóstico.

Vale ressaltar que as variáveis dependentes devem variar ao mesmo tempo que as independentes. Portanto, os valores das variáveis de desfecho são dependentes dos valores adotados pelas variáveis independentes.

Daí vem o nome: variáveis dependentes (ou de desfecho).

c) Variáveis Externas (Covariáveis)

Agora que você já entendeu e consegue diferenciar as variáveis dependentes e independentes, saiba que nem tudo está sob seu controle!

Em alguns casos, ao analisar a relação entre variáveis, pode ocorrer a distorção dessa associação por conta da presença ou atuação de variáveis externas ao que se está investigando.

Quando isso acontece, somos iludidos por um falso resultado e adotamos uma visão equivocada sobre o tema em questão. Esses tipos de variáveis em saúde podem ser classificadas em:

  • Variáveis confundidoras: são variáveis independentes não planejadas. Estão associadas com a exposição e o desfecho mas não participam do processo de causa e efeito;
    • Ex.: Existe associação entre correr longas distâncias com baixa intensidade (a boa e velha caminhada!) e emagrecimento.
      1. Correr longas distâncias com baixa intensidade está associado a hábitos de vida saudáveis (inclusive alimentação);
      2. Emagrecimento está associado a hábitos de vida saudáveis;
      3. Manter hábitos de vida saudáveis não faz parte do processo de causa e efeito que relaciona correr longas distâncias com baixa intensidade e emagrecimento;
      4. Portanto, manter hábitos de vida saudáveis é um potencial fator de confusão entre a associação dessas duas variáveis.
  • Variáveis modificadoras de efeito ou interação: são variáveis que alteram ou modificam o efeito de outra variável independente. Portanto, estão associadas com as exposições e participam do processo de causa e efeito.
    • Ex.: Existe associação entre hipertrofia e ganho de massa muscular;
      1. Em pessoas que alongam antes, depois ou antes e depois de um exercício para hipertrofia pode haver diminuição do ganho de massa muscular.
      2. Alongar não faz parte do processo de causa e efeito.
      3. Alongar interage com a exposição (exercício para hipertrofia) e altera o resultado do ganho de massa muscular.
      4. Portanto, alongar é potencial modificador de efeito na possível associação entre hipertrofia e ganho de massa muscular.

Conclusão: Relação Com A Prática Clínica

Como falei no início, esse é um tema bastante relacionado com a prática clínica. Isso ficou evidente nos exemplos pois todos envolveram dados ou situações clínicas.

Dominando cada um dos conceitos dessa postagem você conseguirá organizar melhor o seu raciocínio clínico e tomar decisões mais sábias.

Por isso, te convido a deixar um comentário e acrescentar algo ou tirar alguma dúvida que tenha surgido.

Grande abraço!!

 Referências


Artigos científicos : como redigir, publicar e avaliar / Mauricio Gomes Pereira.- [Reimpr.] – Rio de janeiro : Guanabara Koogan, 2014.

Almeida Filho, Naomar, 1952-Introdução à epidemiologia / Naomar de Almeida Filho, Maria Zélia Rouquayrol. – 4.ed., rev. e ampliada. [Reimp.]. – Rio de Janeiro : Guanabara Koogan,2014.

Epidemiologia clínica : elementos essenciais / Robert H. Fletcher, Suzanne W. Flecher, Grant S. Fletcher ; tradução: Roberta Marchiori Martins ; revisão técnica: Michael Schmidt Duncan ; consultoria e supervisão: Bruce B. Duncan, Maria Inês Schmidt. – 5. ed. – Porto Alegre : Artmed, 2014. xvi, 280 p. : il. ; 25 cm.

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