O mito do “prevenir é melhor que remediar”: será?!

O ditado popular “prevenir é melhor que remediar”  é conhecido desde que o mundo é mundo!

Mas de onde vem tanta popularidade? Será que essa é uma informação confiável?

Segundo as más línguas essa expressão se aplica em todas as áreas da vida, afinal se trata de uma verdade absoluta e inquestionável (dogma).

… faça uma busca no Google utilizando esse ditado e em segundos encontrará ótimos motivos para colocá-lo em prática, inclusive na área de saúde.

Será???! Continue por aqui e entenda porque esse ditado nem sempre é verdadeiro. Vamos “dissecar” juntos esse assunto tão polêmico!

Na área da saúde, “prevenir é melhor que remediar”?


Prevenir é melhor que remediar
Campanha de conscientização sobre o câncer de mama no Palácio do Planalto

Existe uma crença fortíssima de que quanto mais prevenção (ex.: realizar testes diagnósticos), mais segurança sobre a saúde do paciente se adquire… correto?

Por mais sentido que faça para você a resposta é: não, nem sempre essa relação é direta.

Um bom exemplo disso é a revisão sistemática com metanálise de Chou e colaboradores (2009).

Este trabalho encontrou que a realização de testes de imagem para dor lombar sem indicações plausíveis, não melhora os resultados clínicos.

Há também aqueles que dizem realizar ou solicitar testes diagnósticos com frequência para tranquilizar o cliente ou para atender a um pedido deste.

Para esses profissionais indicamos fortemente a leitura do artigo de Rolfe e Burton (2013).

Eles mostraram que aplicar testes diagnósticos em pacientes com sintomas que indicam baixo risco de doença grave tem pouco impacto em tranquilizá-lo e diminuir sua ansiedade.

Mas ainda tem aqueles fisioterapeutas que pensam: “se bem não faz, mal também não vai fazer…”

Novamente eles estão errados! Essa também não é uma relação direta.

Hubbard e colaboradores (2011) por exemplo, encontraram que mais da metade das mulheres que fazem rastreio de câncer de mama anualmente recebem diagnósticos positivos mesmo não estando doentes (falso-positivo).

Qual o problema disso?

Além de não reduzir a mortalidade por este desfecho (Miller et al., 2014), esses diagnósticos equivocados podem gerar problemas psicossociais parecidos com os de indivíduos que realmente têm neoplasia (Brodersen e Siersma, 2013).

Conclusão


Portanto, mesmo que pareça contra intuitivo, em alguns casos, prevenir pode:

  • Não trazer benefícios clínicos;
  • Não tranquilizar o paciente ou diminuir sua ansiedade;
  • Causar malefícios à saúde.

Portanto, saber escolher corretamente como e quando prevenir pode melhorar drasticamente seu desempenho clínico

… e te conduzir para a prática de  uma Fisioterapia de Alta Performance.

Grande abraço!

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