A esclarecedora diferença entre: desfecho substitutivo e desfecho clínico

Entender a diferença entre desfecho substitutivo e desfecho clínico é algo que não pode ser “empurrado com a barriga”.

Isso irá garantir que você dê importância ao que realmente importa para o paciente!

Por exemplo, você já deve ter ouvido falar que tomar café afeta o funcionamento normal do seu coração, né?

Isso é confirmado por alguns artigos, que demonstram haver aumento agudo da pressão sanguínea após a ingestão dessa deliciosa bebida (Faraq et al., 2010)!

Esses dados contribuíram para o estabelecimento da crenças de que café faz mal para a saúde pois…

… é lógico que o constante aumento da pressão sanguínea em algum momento vai dar problema (ex.: doença cardiovascular), não é???

Nããoo!!!! Pois nem sempre o que parece é, sobretudo na área da saúde!!

Café faz mal para saúde?


Desfecho substitutivo e desfecho clínico
Café faz mal para saúde?

Zhang e cols. (2011) acompanharam “tomadores” de café por até 33 anos e não encontraram associação desse hábito com hipertensão.

Resultados semelhantes foram encontrados por Mesas e cols. (2011). Eles demonstraram não haver associação entre consumo de café e aumento de risco de doenças cardiovasculares.

Em resumo, o que foi considerado, erroneamente, como vilão na verdade parece ser inofensivo!!

Mas qual foi a razão para tamanho equívoco?

A resposta é simples: a maioria das pessoas não sabe diferenciar o que é desfecho substitutivo e desfecho clínico na área de saúde e como utilizá-los.

Sendo assim, antes de mais nada, vale explicar que desfecho é todo fator que influencia direta ou indiretamente a saúde das pessoas…

… e que eles podem ser divididos em duas categorias: substitutivos (fisiológicos) ou clínicos.

Desfecho substitutivo e desfecho clínico


Desfecho substitutivo e desfecho clínico
Corpo: representando o desfecho substitutivo / DNA: representando o desfecho clínico

Os desfechos fisiológicos são tecnicamente chamados de substitutivos ou intermediários pois focam em pequenas partes dos indivíduos.

Como exemplos deles podemos citar: VO2 máx., força muscular, glicemia, etc.

Estes são desfechos importantes para gerarmos hipóteses sobre o funcionamento do nosso corpo, mas não devem ser usados como parâmetro para tomada de decisão clínica.

Por que?????

Uma disfunção ou doença é consequência da interação dos múltiplos sistemas corporais, correto?

Então, alterar uma única parte desse todo, na maioria das vezes, não apresenta repercussão clínica importante, o que torna essa prática contraproducente.

Portanto, acredito que a forma mais adequada de considerar esse todo seja através de desfechos clínicos.

Como exemplos deles podemos citar: morte, infarto do miocárdio, dor, deficiência funcional, angústia, entre outros.

Estes parâmetros são de maior interesse para os pacientes e deveriam ser também para os fisioterapeutas.

Conclusão


Bem, agora deve estar claro para você a razão do erro que comentamos no início da postagem:

  • Aumento da pressão sanguínea é um desfecho substitutivo ou fisiológico;
  • Doença cardiovascular é um desfecho clínico;
  • De uma forma geral, tomar café aumenta a pressão mas não parece estar associado a doenças cardíacas;
  • Esse é um exemplo simples que desfechos fisiológicos não necessariamente repercutem em desfecho clínicos.

Sendo assim, fisioterapeutas que buscam a alta performance devem – sempre que possível – se ater a desfechos clínicos.

Dessa forma, a probabilidade de sucesso terapêutico, na maioria dos casos, é gigantescamente maior.

Se essa informação foi relevante para você comenta deixa um comentário!

Se você acha que outras pessoas precisam ter acesso a essa informação, compartilha!!

Abraço!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Protected by Copyscape